0. Ninguém é justo juiz em causa própria. E menos justos somos quando julgamos os outros!
A cegueira do orgulho impede-nos demasiadas vezes de ver e assumir os nossos limites e defeitos e, nessa mesma medida, impede-nos de ver e reconhecer o valor e as qualidades dos outros. Por isso, somos habitualmente demasiado condescendentes para connosco e excessivamente severos para com os outros.
Na Parábola do Evangelho que escutamos Jesus procura ensinar-nos que não se pode considerar justo o homem que despreza o seu semelhante mesmo que cumpra todas as leis legais!
1. O fariseu, foi ao templo rezar, mas não rezou verdadeiramente. As suas palavras e os sentimentos que elas exprimem são tudo menos oração.
Este homem evoca o nome de Deus mas pensa exclusivamente em si mesmo. Ele fala, mas não reza, limitando-se a fazer o seu próprio elogio. As suas palavras porque não têm verdade e são ditas sem amor não podem nunca ser oração! Só rezamos quando falamos toda a verdade e colocamos amor naquilo que dizemos!
Na sua oração o fariseu coloca-se a ele como centro e não coloca Deus no centro! O fariseu reconhece e evidencia os seu méritos e valores e não reconhece na sua vida a acção e o dom de Deus.
O fariseu foi ao templo, não para se encontrar com Deus, mas para mostrar aos homens que rezava; não para fazer silencio interior e escutar Deus, mas para falar todo o tempo de si próprio. Foi para cumprir uma lei, mas não para amar a Deus.
Considerando-se auto-suficiente e perfeito, nada pede a Deus! Incapaz de ver e assumir os seus erros e pecados, não manifesta arrependimento nem implora perdão. Cheio de si e feliz por ser assim, torna a sua vida completamente impermeável ao amor e à acção de Deus.
Foi ao templo cheio de orgulho e por isso não rezou. O orgulho impediu-o de se encontrar com Deus.
Continua ainda hoje o orgulho a cegar e a enganar tanta gente. Quem vive fechado no seu orgulho engana-se a si próprio, procura enganar os demais e tenta enganar a Deus… Como se fosse possível enganar a Deus! Como se fosse possivel convencer Deus da virtude e perfeição que efectivamente não temos! Deus não se deixa impressionar pelas aparências… ele olha e conhece o mais profundo de cada coração!
2. O publicano em contraste com o fariseu reza com discrição e humildade, não faz barulho nem dá nas vistas. As suas palavras e o gesto de bater no peito exprimem a sinceridade dos seus sentimentos. Mostra que se conhece bem e não pretende iludir-se, muito menos enganar a Deus. Reconhece e confessa que é pecador. Sabe que só Deus pode perdoar as suas faltas. Por isso, dirige-se a Ele, manifestando-lhe o seu arrependimento e implorando perdão: “Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador!”
3. O publicano vai ao templo para orar, porque sente necessidade de Deus, do seu amor e da sua compaixão. Deus acolhe a oração deste homem porque a faz com sinceridade, verdade e humildade. Na verdade o publicano pertence ao grupo dos pobres em espírito que Jesus proclama felizes e dos quais é o reino de Deus.
4. Se examinamos atentamente a nossa vida, os nossos pensamentos e sentimentos, as nossas palavras e acções, as nossas atitudes e relações humanas, verificamos que temos mais em comum com o fariseu do que com o publicano:
a. Com muita dificuldade conseguimos ver em nós algum defeito ou reconhecer algum pecado. Pelo contrário, com maior facilidade e ligeireza, apontamos os defeitos e acusamos os pecados dos outros.
b. Em certas ocasiões, também fazemos o nosso próprio elogio e se calhar até nos apresentamos como cristãos exemplares e perfeitos. É isso que as pessoas fazem quando dizem: “não mato, não roubo, não faço más acções… vou à missa ao domingo, faço as minhas orações, dou as minhas esmolas…”
c. E o que acontece em relação ao próximo? Amamos aqueles que não nos caiem bem? Não basta apenas não fazer mal é preciso fazer bem e muito…sempre!
d. No que se refere à oração também muitas vezes somos como o fariseu. Também nós falamos muito e escutamos pouco. Temos medo do silêncio interior, não deixando que Deus faça ouvir a sua voz e faça sentir a sua acção na nossa vida e no nosso coração.
Deus não se deixa ir em cantigas, não se deixa cativar por meras palavras… por mais belas que sejam. Deus não se deixa impressionar pelas aparências. Por mais hábil que alguém seja na arte de iludir, não consegue enganar a Deus!
Por isso, para quem quer e procura a salvação de Deus, só lhe resta o caminho da humildade e da sinceridade, da verdade e do amor, do arrependimento e do perdão. Quem vive deste modo, passará, muito provavelmente despercebido aos olhos dos homens, mas conseguirá a aprovação e a recompensa de Deus.
5. Este fim de semana celebramos o 84º dia missionário mundial sob o lema “ a construção da comunhão eclesial é a chave da missão
23/10/10
18/10/10
02/10/10
Para este XVII domingo...
Vimos à Igreja porque temos fé... Vimos à missa porque isto de pensar em Deus merece a nossa atenção. Vimos à Igreja porque queremos entender, alimentar e fortalecer mais a fé que já sentimos ter.
O que será mesmo ter fé? Como se há de expressar ou manifestar a fé que buscamos e temos?
Quantas vezes no caminho da vida não passamos por momentos de desânimo, impaciência e profunda descrença? Todos constantemente colocamos a interpelação será que vale a pena acreditar?
Procuremos entender aquilo que a Palavra de Deus nos quer este domingo dizer:
Na 1ª leitura o profeta Habacuc conta a sua experiência de fé. Diante da extrema violência e corrupção, que Vê no meio do povo, ele queixa-se com impaciência a Deus: "Até quando, Senhor?"
Deus exorta-o a não desanimar. Ele há-de intervir no momento oportuno: " o justo viverá pela sua fé."
Quantas vezes também nós não conseguimos entender porque permite Deus tantas coisas que parecem absurdas e são... o sofrimento injusto, a falta de compreensão e amor generalizados e tantas outras coisas.
Nessas horas, como Habacuc, reclamos ainda que apenas interiormente: porque? até quando?
A primeira leitura tenta ensinar-nos que a fé é o único caminho para compreender o mistério da história e superar todas as dificuldades e contradições. Ter fé é confiar em Deus mesmo quando ele parece ausente do mundo e da nossa história pessoal. Ter fé é esperar às vezes contra toda a esperança. Mesmo que Deus "aparentemente" não nos escute nem nos faça a vontade ou nos socorra directamente acreditamos que há de um dia salvar e libertar-nos totalmente.
Na 2ª leitura S. Paulo convida Timóteo, cansado e preocupado pelas adversidades da vida que "reavive o Dom de Deus, que recebeu..."
Num tempo de crise económica e social precisamos todos de reavivar este Dom de Deus que secretamente guardamos dentro do nosso coração. Precisamos de centrar a nossa atenção naquilo que somos realmente e não tanto naquilo que temos ou buscamos.
O texto da 2ª leitura convida a reavivar a chama da fé que nos ha de ajudar a enfrentar todas as dificuldades que no caminho da existência nos vão inquietando.
No Evangelho Jesus afirma que a fé remove os obstáculos. A fé, ainda que fraca ou pequena, poderá ajudar de forma determinante a superar os maiores obstáculos porque centra a nossa atenção naquilo que é essencial. Somos Filhos de Deus, chamados à eternidade...
Ter fé é dar conta que recebemos de Deus este dom gratuito. Não conquistamos a fé apenas pelo nosso esforço humano, pelo nosso mérito... é dom que Deus nos dá que exige uma resposta viva e actuante.
Fé e vida devem andar juntas sob risco de perdermos uma destas duas coisas...
A fé exige uma resposta viva e actuante. A fé sem obras é morta... A fé compromete-nos e exige que actuemos na comunidade humana e cristã na prática da caridade, da justiça e na vivencia fraterna e solidária.
Não é apenas uma adesão intelectual a algumas verdades aprendidas na catequese que foram transmitidas de geração em geração. A fé é uma adesão da vida ao projecto de Deus. É um encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo... é um aceitar realizar o plano de Deus em nós... é olhar o mundo, os acontecimentos e as pessoas com o olhar de Deus.
A fé pede ainda a entrega total e gratuita, sem esperar direitos ou privilégios... Somos servidores à disposição de Deus.
Temos também de ter atenção para não cair em duas tentações associadas à fé (neste mundo inseguro, perturbado e hostil). Não podemos desanimar... não entendemos tudo, somos pequenos e incapazes mas confiamos... de forma determinada confiamos em Deus!
Também temos de ter cuidado para não nos considerarmos "necessários" ou "merecedores". Quem já se julga muito seguro da sua fé... que já se considera muito santo de certo que está ainda muito longe de o ser!
Neste mundo descrente em que vivemos não desanimemos... vivamos na Esperança e para a Esperança que Jesus nos ensina... O justo vencerá pela sua fé! Mesmo que seja muito pequena... unida aos outros... a nossa fé há de fazer milagres e mudar para melhor o nosso meio.
Neste mes de Outubro, dedicado de forma especial à oração pelas missões pedimos a Deus que aumente a nossa fé e fortaleça a fé daqueles que deixaram tudo para seguir Jesus no serviço aos outros em terras distantes.
O que será mesmo ter fé? Como se há de expressar ou manifestar a fé que buscamos e temos?
Quantas vezes no caminho da vida não passamos por momentos de desânimo, impaciência e profunda descrença? Todos constantemente colocamos a interpelação será que vale a pena acreditar?
Procuremos entender aquilo que a Palavra de Deus nos quer este domingo dizer:
Na 1ª leitura o profeta Habacuc conta a sua experiência de fé. Diante da extrema violência e corrupção, que Vê no meio do povo, ele queixa-se com impaciência a Deus: "Até quando, Senhor?"
Deus exorta-o a não desanimar. Ele há-de intervir no momento oportuno: " o justo viverá pela sua fé."
Quantas vezes também nós não conseguimos entender porque permite Deus tantas coisas que parecem absurdas e são... o sofrimento injusto, a falta de compreensão e amor generalizados e tantas outras coisas.
Nessas horas, como Habacuc, reclamos ainda que apenas interiormente: porque? até quando?
A primeira leitura tenta ensinar-nos que a fé é o único caminho para compreender o mistério da história e superar todas as dificuldades e contradições. Ter fé é confiar em Deus mesmo quando ele parece ausente do mundo e da nossa história pessoal. Ter fé é esperar às vezes contra toda a esperança. Mesmo que Deus "aparentemente" não nos escute nem nos faça a vontade ou nos socorra directamente acreditamos que há de um dia salvar e libertar-nos totalmente.
Na 2ª leitura S. Paulo convida Timóteo, cansado e preocupado pelas adversidades da vida que "reavive o Dom de Deus, que recebeu..."
Num tempo de crise económica e social precisamos todos de reavivar este Dom de Deus que secretamente guardamos dentro do nosso coração. Precisamos de centrar a nossa atenção naquilo que somos realmente e não tanto naquilo que temos ou buscamos.
O texto da 2ª leitura convida a reavivar a chama da fé que nos ha de ajudar a enfrentar todas as dificuldades que no caminho da existência nos vão inquietando.
No Evangelho Jesus afirma que a fé remove os obstáculos. A fé, ainda que fraca ou pequena, poderá ajudar de forma determinante a superar os maiores obstáculos porque centra a nossa atenção naquilo que é essencial. Somos Filhos de Deus, chamados à eternidade...
Ter fé é dar conta que recebemos de Deus este dom gratuito. Não conquistamos a fé apenas pelo nosso esforço humano, pelo nosso mérito... é dom que Deus nos dá que exige uma resposta viva e actuante.
Fé e vida devem andar juntas sob risco de perdermos uma destas duas coisas...
A fé exige uma resposta viva e actuante. A fé sem obras é morta... A fé compromete-nos e exige que actuemos na comunidade humana e cristã na prática da caridade, da justiça e na vivencia fraterna e solidária.
Não é apenas uma adesão intelectual a algumas verdades aprendidas na catequese que foram transmitidas de geração em geração. A fé é uma adesão da vida ao projecto de Deus. É um encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo... é um aceitar realizar o plano de Deus em nós... é olhar o mundo, os acontecimentos e as pessoas com o olhar de Deus.
A fé pede ainda a entrega total e gratuita, sem esperar direitos ou privilégios... Somos servidores à disposição de Deus.
Temos também de ter atenção para não cair em duas tentações associadas à fé (neste mundo inseguro, perturbado e hostil). Não podemos desanimar... não entendemos tudo, somos pequenos e incapazes mas confiamos... de forma determinada confiamos em Deus!
Também temos de ter cuidado para não nos considerarmos "necessários" ou "merecedores". Quem já se julga muito seguro da sua fé... que já se considera muito santo de certo que está ainda muito longe de o ser!
Neste mundo descrente em que vivemos não desanimemos... vivamos na Esperança e para a Esperança que Jesus nos ensina... O justo vencerá pela sua fé! Mesmo que seja muito pequena... unida aos outros... a nossa fé há de fazer milagres e mudar para melhor o nosso meio.
Neste mes de Outubro, dedicado de forma especial à oração pelas missões pedimos a Deus que aumente a nossa fé e fortaleça a fé daqueles que deixaram tudo para seguir Jesus no serviço aos outros em terras distantes.
25/09/10
XXVI Comum C
O grande abismo chamado indiferença
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
As leituras deste XXVI domingo do tempo comum continuam a abordar o tema do domingo passado sobre os perigos que corremos quando tratamos os bens materiais como principiais preocupações da nossa vida… Este domingo a Igreja convida-nos a deixarmos a indiferença para nos abrirmos mais a Deus e aos irmãos.
Muitas pessoas, ainda que de forma inconsciente, apostam que a plenitude da vida e da felicidade se encontra nas riquezas... e por isso encontramos tanta gente insatisfeita sempre à procura de acumular mais alguns euros à conta bancária.
Os textos sagrados que proclamámos dizem-nos claramente que estamos errados! Os bens materiais podem comprar muitas coisas que nos fazem sentir alegres mas não conseguem comprar a verdadeira felicidade... o dinheiro pode pagar o médico e os medicamentos mas só por si o dinheiro não compra a saúde!
Vivemos num mundo assim... dividido! Um mundo que tem cada vez mais ricos (fechados sob si próprios) e cada vez mais pobres (Lázaros) necessitados...
O pior que pode acontecer é a nossa indiferença! A nossa indiferença pessoal e a nossa indiferença enquanto Igreja e por isso mesmo fermento na massa!
Vivemos no tempo da indiferença... Cada um por si! Cada um que se desenrasque! Partilhamos o mesmo planeta mas vivemos a “anos-luz” uns dos outros. Vivemos trancados nas nossas ideias, nas nossas casas, naquilo que temos... fechados no nosso egoísmo!
Partilhar é uma palavra apenas de retórica... Não partilhamos tempo, não partilhamos atenção e muito menos partilhamos verdadeiramente algo que faça parte dos nossos bens!
Somos indiferentes... e todas as realidades giram em torno desta nossa forma de estar. Constantemente criamos barreiras aos outros, erguemos muros e não construímos pontes que facilitem a nossa reunião com os outros. Construímos tantas vezes, ainda que sem darmos conta, o fosso do esquecimento do outro que surge sempre que nos tornamos incapazes de amar!
Tornamo-nos indiferentes para tudo... para amar, para nos comprometermos com os outros ou com a sociedade ou a Igreja... não queremos nada que possa roubar o nosso egoísmo de nos julgarmos demasiado inteligentes... Só não somos indiferentes para julgar!
O Evangelho alerta-nos para esse perigo de viver fechados em nós próprios julgando-nos tão ricos que não precisamos dos outros. Todos precisamos de todos e um dia a morte há-de tornar-nos verdadeiramente iguais como tornou o pobre Lázaro igual ao rico que vivia apenas para os prazeres que a sua fortuna permitia.
Vivemos nesta ilusão e de tantas formas nos procuram mostrar a vida luxuosa e cheia de caprichos que tantos artistas do desporto ou da televisão levam... Esquecemos que a obsessão do ter "cancela" o nosso ser mais profundo; afasta-nos uns dos outros e de Deus.
Levemos muito a sério isto: A indiferença é o sono da alma e uma doença do coração.
Só se vence o ódio ou a indiferença com o poder da invenção do amor em dar inesperadamente muito mais do que foi pedido.
Busquemos vencer a nossa indiferença e não tenhamos medo de nos "darmos" aos outros... partilhar aquilo que temos e somos! Quem não ama, fica cego e não vê mais que o seu próprio interesse... quem ama (como diz Bento XVI) tem um coração que vê; vê onde há necessidade e actua em consequência!
Procuremos com maior atenção estar atentos a tudo e a todos. Não como quem quer julgar ou avaliar mas como quem quer estar disponível para servir… para ajudar… para amar!
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
As leituras deste XXVI domingo do tempo comum continuam a abordar o tema do domingo passado sobre os perigos que corremos quando tratamos os bens materiais como principiais preocupações da nossa vida… Este domingo a Igreja convida-nos a deixarmos a indiferença para nos abrirmos mais a Deus e aos irmãos.
Muitas pessoas, ainda que de forma inconsciente, apostam que a plenitude da vida e da felicidade se encontra nas riquezas... e por isso encontramos tanta gente insatisfeita sempre à procura de acumular mais alguns euros à conta bancária.
Os textos sagrados que proclamámos dizem-nos claramente que estamos errados! Os bens materiais podem comprar muitas coisas que nos fazem sentir alegres mas não conseguem comprar a verdadeira felicidade... o dinheiro pode pagar o médico e os medicamentos mas só por si o dinheiro não compra a saúde!
Vivemos num mundo assim... dividido! Um mundo que tem cada vez mais ricos (fechados sob si próprios) e cada vez mais pobres (Lázaros) necessitados...
O pior que pode acontecer é a nossa indiferença! A nossa indiferença pessoal e a nossa indiferença enquanto Igreja e por isso mesmo fermento na massa!
Vivemos no tempo da indiferença... Cada um por si! Cada um que se desenrasque! Partilhamos o mesmo planeta mas vivemos a “anos-luz” uns dos outros. Vivemos trancados nas nossas ideias, nas nossas casas, naquilo que temos... fechados no nosso egoísmo!
Partilhar é uma palavra apenas de retórica... Não partilhamos tempo, não partilhamos atenção e muito menos partilhamos verdadeiramente algo que faça parte dos nossos bens!
Somos indiferentes... e todas as realidades giram em torno desta nossa forma de estar. Constantemente criamos barreiras aos outros, erguemos muros e não construímos pontes que facilitem a nossa reunião com os outros. Construímos tantas vezes, ainda que sem darmos conta, o fosso do esquecimento do outro que surge sempre que nos tornamos incapazes de amar!
Tornamo-nos indiferentes para tudo... para amar, para nos comprometermos com os outros ou com a sociedade ou a Igreja... não queremos nada que possa roubar o nosso egoísmo de nos julgarmos demasiado inteligentes... Só não somos indiferentes para julgar!
O Evangelho alerta-nos para esse perigo de viver fechados em nós próprios julgando-nos tão ricos que não precisamos dos outros. Todos precisamos de todos e um dia a morte há-de tornar-nos verdadeiramente iguais como tornou o pobre Lázaro igual ao rico que vivia apenas para os prazeres que a sua fortuna permitia.
Vivemos nesta ilusão e de tantas formas nos procuram mostrar a vida luxuosa e cheia de caprichos que tantos artistas do desporto ou da televisão levam... Esquecemos que a obsessão do ter "cancela" o nosso ser mais profundo; afasta-nos uns dos outros e de Deus.
Levemos muito a sério isto: A indiferença é o sono da alma e uma doença do coração.
Só se vence o ódio ou a indiferença com o poder da invenção do amor em dar inesperadamente muito mais do que foi pedido.
Busquemos vencer a nossa indiferença e não tenhamos medo de nos "darmos" aos outros... partilhar aquilo que temos e somos! Quem não ama, fica cego e não vê mais que o seu próprio interesse... quem ama (como diz Bento XVI) tem um coração que vê; vê onde há necessidade e actua em consequência!
Procuremos com maior atenção estar atentos a tudo e a todos. Não como quem quer julgar ou avaliar mas como quem quer estar disponível para servir… para ajudar… para amar!
18/09/10
Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! (XXV - Comum C)
Que “mal” terá afinal ter dinheiro para que Jesus o coloque como principal adversário e feroz concorrente em relação a Deus?
Todos precisamos de dinheiro é um meio prático e indispensável para as trocas comerciais e para ter acesso aos bens necessários.
Haverá algum vírus de pecado no próprio dinheiro para que Jesus nos coloque perante este dilema: ou Deus ou o dinheiro!
Claro que não! O dinheiro em si, nem é bom nem é mau… apenas necessário!
Jesus apenas quer alertar para o risco que está na relação que estabelecemos com os bens materiais. O risco está trocar ou colocar em causa a relação uns com os outros e com Deus por causa do dinheiro! Esta séria advertência de Jesus tem apenas que ver com o uso que fazemos do dinheiro e o modo como o buscamos e adquirimos.
As leituras deste XXV domingo do tempo comum sugerem-nos esta reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os outros bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os discípulos de Jesus devem evitar que a ganância ou o desejo imoderado de lucro manipulem as suas vidas e condicionem as suas opções; em contrapartida, são convidados a procurar os valores do “Reino”.
O dinheiro pode provir do trabalho honesto ou de negócios pouco claros. O dinheiro pode comprar o remédio que salva ou o veneno que mata… a economia pode fomentar sociedades mais justas e solidárias ou sociedades opressoras e desiguais… Os bens materiais podem ser partilhados com generosidade e alegria ou acumulados de forma egoísta. O perigo maior é quando a economia perde o coração… quando a sede insaciável de lucro máximo rouba a dignidade a outras pessoas.
Ainda há bem pouco tempo vimos pessoas lesadas por um banco que faliu… o dinheiro que parecia seguro e que dava segurança a estas pessoas desapareceu; como areia entre os dedos. O fundamento sólido de uma vida nunca pode ser um bem perecível e apetecível como o dinheiro. O fundamento sólido da nossa vida não poderá ser os bens mas o amor que temos uns pelos outros e partilhamos solidariamente uns com os outros.
Se aquilo que temos em bens materiais for a nossa única esperança e a única fonte de independência jamais seremos felizes porque a única segurança verdadeira consiste na reserva de Sabedoria, de experiência e competência. A nossa fonte de felicidade não pode estar naquilo que acumulamos e se torna rapidamente supérfluo. A nossa fonte de felicidade está em ter o essencial e somos capazes de colocar ao serviço…colocar a render para desta forma partilhar.
Pensemos bem… Será que aquilo que o dinheiro faz por nós não compensa o que nós fazemos por ele!?
Na segunda leitura S. Paulo faz-nos claramente o convite a não ficarmos fechados em nós próprios mas a preocupar-nos de forma empenhada com as dores e esperanças de todos os nossos irmãos. O cristão é aquele que se preocupa sempre mais em ser do que em ter… o cristão verdadeiro é aquele que consegue assumir de forma comprometida os valores duradouros do amor, da partilha e da fraternidade.
Todos precisamos de dinheiro é um meio prático e indispensável para as trocas comerciais e para ter acesso aos bens necessários.
Haverá algum vírus de pecado no próprio dinheiro para que Jesus nos coloque perante este dilema: ou Deus ou o dinheiro!
Claro que não! O dinheiro em si, nem é bom nem é mau… apenas necessário!
Jesus apenas quer alertar para o risco que está na relação que estabelecemos com os bens materiais. O risco está trocar ou colocar em causa a relação uns com os outros e com Deus por causa do dinheiro! Esta séria advertência de Jesus tem apenas que ver com o uso que fazemos do dinheiro e o modo como o buscamos e adquirimos.
As leituras deste XXV domingo do tempo comum sugerem-nos esta reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os outros bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os discípulos de Jesus devem evitar que a ganância ou o desejo imoderado de lucro manipulem as suas vidas e condicionem as suas opções; em contrapartida, são convidados a procurar os valores do “Reino”.
O dinheiro pode provir do trabalho honesto ou de negócios pouco claros. O dinheiro pode comprar o remédio que salva ou o veneno que mata… a economia pode fomentar sociedades mais justas e solidárias ou sociedades opressoras e desiguais… Os bens materiais podem ser partilhados com generosidade e alegria ou acumulados de forma egoísta. O perigo maior é quando a economia perde o coração… quando a sede insaciável de lucro máximo rouba a dignidade a outras pessoas.
Ainda há bem pouco tempo vimos pessoas lesadas por um banco que faliu… o dinheiro que parecia seguro e que dava segurança a estas pessoas desapareceu; como areia entre os dedos. O fundamento sólido de uma vida nunca pode ser um bem perecível e apetecível como o dinheiro. O fundamento sólido da nossa vida não poderá ser os bens mas o amor que temos uns pelos outros e partilhamos solidariamente uns com os outros.
Se aquilo que temos em bens materiais for a nossa única esperança e a única fonte de independência jamais seremos felizes porque a única segurança verdadeira consiste na reserva de Sabedoria, de experiência e competência. A nossa fonte de felicidade não pode estar naquilo que acumulamos e se torna rapidamente supérfluo. A nossa fonte de felicidade está em ter o essencial e somos capazes de colocar ao serviço…colocar a render para desta forma partilhar.
Pensemos bem… Será que aquilo que o dinheiro faz por nós não compensa o que nós fazemos por ele!?
Na segunda leitura S. Paulo faz-nos claramente o convite a não ficarmos fechados em nós próprios mas a preocupar-nos de forma empenhada com as dores e esperanças de todos os nossos irmãos. O cristão é aquele que se preocupa sempre mais em ser do que em ter… o cristão verdadeiro é aquele que consegue assumir de forma comprometida os valores duradouros do amor, da partilha e da fraternidade.
11/09/10
Um abraço... XXIV Comum - C
Quem não gosta de um bom abraço?… Um abraço forte e sentido? Dizem que um abraço é a menor distância entre dois amigos!
Os abraços são dados de muitas formas e com diferentes significados. Há abraços que dizem: "Fico muito contente com a tua amizade..." Existem abraços que expressam o orgulho que se sente por alguém especial!...
Também há abraços que dizem: "Não existe ninguém no mundo igual a ti..." Há abraços doces e ternos que são dados em momentos de tristeza...
Com um abraço também podemos dizer: "Sinto muito", quando alguém está a passar por um momento difícil...
Há abraços que damos, para dizer: "Que bom teres vindo", e outros que dizem: "Sentirei a tua falta quando estiveres longe de mim..."
Não faltam também abraços perfeitos para fazer as pazes... E os abraços cheios de carinho, que nascem do coração... Existem abraços para diferentes ocasiões; abraços rápidos e abraços demorados, um para cada razão um para cada momento... Porém, de todos os abraços, o mais carinhoso é aquele que diz: "Tu estás sempre no meu pensamento… porque és meu amigo e eu quero te sempre muito bem!”
Diz a sabedoria popular que só se realiza um grande amigo depois de um grande abraço!!
Só se sente um verdadeiro amigo depois de um grande abraço!
Tenho certeza que hoje nas leituras que escutamos Deus quer dizer-nos isto mesmo! Deus quer abraçar-nos! Quer ter-nos junto de si… amados!
As parábolas que escutamos no evangelho falam disto mesmo… Deus é este Pai sempre disposto a abraçar-nos! Deus quer sempre ser este pai rico de misericórdia que essencialmente nos quer amar e não tanto julgar ou condenar.
Quem acredita, quem tem fé precisa fazer um constante esforço para não ver apenas em Deus o Juiz implacável que julgará a humanidade mas de ver mais o Pai que nos quer acolher de braços abertos… o pai que nos estende a mão quando caímos, o Pai que nos aponta o caminho para onde seguir… o pai que nos segura na palma da mão quando tudo parece correr mal… o pai que nos abençoa com as suas mãos generosas.
Hoje convido-me a mim próprio e convido-vos a todos a sentirmos-nos abraçados por Deus… a aproximar-nos mais de Deus com confiança sabendo que ele não tira nada… dá tudo! Convido-me a tentar sentir o que um abraço é capaz de fazer. Quando bem apertado, ele ampara tristezas, sustenta lágrimas, combate incertezas, põe a nostalgia de lado. É até capaz de amenizar o medo.
Se for cheio de ternura, ele guarda segredos e jura cumplicidade. Um abraço amigo de verdade divide alegrias e se apraz em comemorações.
Um abraço bem sentido é como que uma bela oração cheia de força e energia.
Se quisermos assim ser abraçados por Deus teremos depois de olhar muitas vezes para o lado: há sempre alguém que quer ser abraçado, que precisa de um abraço e não tem coragem de dizer.
Partilhemos estes sentimentos… abracemo-nos a propósito e a despropósito… O pior que pode acontecer é ganhar de volta um sorriso de carinho ou, quem sabe, uma palavra sincera.
Um abraço nada custa a quem o dá e sabe tão bem a quem o recebe… se assim acontecer iremos descobrir que nunca estamos sozinhos e que a vida pode ser um eterno céu de primavera.
Que o amor, que nos move e comove, nos leve a fazer desta comunidade cristã um espaço livre, do qual cada pessoa se possa aproximar e se sinta bem acolhida e envolvida; um espaço de confronto e de conforto, onde a permuta dos dons, possa ocorrer! Cada um ofereça o seu próprio coração, como “estalagem”, fazendo do seu próximo mais distante o seu hóspede mais bem-vindo! «Entra, tens aqui um lugar»!
Os abraços são dados de muitas formas e com diferentes significados. Há abraços que dizem: "Fico muito contente com a tua amizade..." Existem abraços que expressam o orgulho que se sente por alguém especial!...
Também há abraços que dizem: "Não existe ninguém no mundo igual a ti..." Há abraços doces e ternos que são dados em momentos de tristeza...
Com um abraço também podemos dizer: "Sinto muito", quando alguém está a passar por um momento difícil...
Há abraços que damos, para dizer: "Que bom teres vindo", e outros que dizem: "Sentirei a tua falta quando estiveres longe de mim..."
Não faltam também abraços perfeitos para fazer as pazes... E os abraços cheios de carinho, que nascem do coração... Existem abraços para diferentes ocasiões; abraços rápidos e abraços demorados, um para cada razão um para cada momento... Porém, de todos os abraços, o mais carinhoso é aquele que diz: "Tu estás sempre no meu pensamento… porque és meu amigo e eu quero te sempre muito bem!”
Diz a sabedoria popular que só se realiza um grande amigo depois de um grande abraço!!
Só se sente um verdadeiro amigo depois de um grande abraço!
Tenho certeza que hoje nas leituras que escutamos Deus quer dizer-nos isto mesmo! Deus quer abraçar-nos! Quer ter-nos junto de si… amados!
As parábolas que escutamos no evangelho falam disto mesmo… Deus é este Pai sempre disposto a abraçar-nos! Deus quer sempre ser este pai rico de misericórdia que essencialmente nos quer amar e não tanto julgar ou condenar.
Quem acredita, quem tem fé precisa fazer um constante esforço para não ver apenas em Deus o Juiz implacável que julgará a humanidade mas de ver mais o Pai que nos quer acolher de braços abertos… o pai que nos estende a mão quando caímos, o Pai que nos aponta o caminho para onde seguir… o pai que nos segura na palma da mão quando tudo parece correr mal… o pai que nos abençoa com as suas mãos generosas.
Hoje convido-me a mim próprio e convido-vos a todos a sentirmos-nos abraçados por Deus… a aproximar-nos mais de Deus com confiança sabendo que ele não tira nada… dá tudo! Convido-me a tentar sentir o que um abraço é capaz de fazer. Quando bem apertado, ele ampara tristezas, sustenta lágrimas, combate incertezas, põe a nostalgia de lado. É até capaz de amenizar o medo.
Se for cheio de ternura, ele guarda segredos e jura cumplicidade. Um abraço amigo de verdade divide alegrias e se apraz em comemorações.
Um abraço bem sentido é como que uma bela oração cheia de força e energia.
Se quisermos assim ser abraçados por Deus teremos depois de olhar muitas vezes para o lado: há sempre alguém que quer ser abraçado, que precisa de um abraço e não tem coragem de dizer.
Partilhemos estes sentimentos… abracemo-nos a propósito e a despropósito… O pior que pode acontecer é ganhar de volta um sorriso de carinho ou, quem sabe, uma palavra sincera.
Um abraço nada custa a quem o dá e sabe tão bem a quem o recebe… se assim acontecer iremos descobrir que nunca estamos sozinhos e que a vida pode ser um eterno céu de primavera.
Que o amor, que nos move e comove, nos leve a fazer desta comunidade cristã um espaço livre, do qual cada pessoa se possa aproximar e se sinta bem acolhida e envolvida; um espaço de confronto e de conforto, onde a permuta dos dons, possa ocorrer! Cada um ofereça o seu próprio coração, como “estalagem”, fazendo do seu próximo mais distante o seu hóspede mais bem-vindo! «Entra, tens aqui um lugar»!
09/09/10
Como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?
Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada.
Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro.
O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros.
Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.
Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo.
É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça.
O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros, mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela
compra dos burros.
É então que, na ausência do homem, o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:
- Sabeis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada?
E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!!
Que acham?
Toda a gente concordou.
Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.
Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado !
Entendes agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?
Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro.
O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros.
Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.
Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo.
É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça.
O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros, mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela
compra dos burros.
É então que, na ausência do homem, o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:
- Sabeis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada?
E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!!
Que acham?
Toda a gente concordou.
Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.
Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado !
Entendes agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?
06/09/10
Mensagem Paroquial
Padre para vós, peregrino convosco
“Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo…”
Hoje as leituras procuram ensinar-nos que seguir Jesus não é um caminho de facilidade… seguir Jesus é um caminho de felicidade mas um caminho exigente, difícil porque exige perseverança no carregar da cruz diária.
Pelo Baptismo recebemos a graça e o desafio de ser discípulos fiéis de Jesus Cristo. Infelizmente nem sempre damos espaço para que a Graça de Deus guie os nossos passos… nem sempre nos comprometemos suficientemente com esta dignidade de sermos Filhos de Deus.
Vivemos numa cultura de exigência minimalista… e até na espiritualidade nos deixamos levar por esta cultura nada comprometedora.
Jesus não quer discípulos envergonhados… Jesus quer discípulos empenhados… comprometidos com a sua Igreja procurando ser fermento no meio da massa. (…)
Pedem-me agora que eu seja também este discípulo empenhado e comprometido na paroquialidade de cinco comunidades cristãs acumulando com os serviços que já prestava a esta Igreja Diocesana no Seminário do Fundão e na captação vocacional.
Teremos muito tempo para nos conhecermos, para nos estimarmos, para partilharmos aquilo que temos e somos e para em conjunto descobrir o que Deus espera de nós…
Não vale a pena apontar grandes metas… a meta deve ser o caminho percorrido com simplicidade e verdade. O único caminho é a Palavra de Deus que há de iluminar a nossa existência, nos há de unir e motivar para cada vez mais profundamente conhecermos e amarmos a Deus que nos criou.
Para este desafio que me pedem tenho apenas um objectivo – conhecer e dar a conhecer, amar e fazer amar mais a Jesus Cristo que revela o Pai;
Tenho apenas um único projecto… amar (do jeito que Jesus ensina!)
Há apenas um meio para alcançar os objectivos e concretizar os projectos…. Trabalhar!
O trabalho, a dedicação e a entrega generosa (tendo como modelo o único bom pastor) são o segredo para resistir e responder à altura aos desafios que constantemente nos são colocados.
Para tudo o resto muita esperança! Estamos nas mãos de Deus e acredito que as mãos de Deus irão abençoar o trabalho, apontar e encaminhar pela verdade e se for necessário ao colo nos há-de carregar.
Como dizia a primeira leitura: -“ Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso espírito santo?”
Esta é a nossa maior Esperança. Deus não nos abandona entregues às nossas capacidades e forças humanas; envia-nos o Espírito Santo como garante da verdade e como guia secreto dos nossos passos. Há de ser o Espírito Santo a guiar os nossos passos de família paroquial!
Acredito naquilo que saint exupery diz que só respiramos quando estamos ligados aos nossos irmãos por um objectivo comum que se situa fora de nós; e a experiência mostra que amar não é olharmos uns para o outros, mas olharmos todos na mesma direcção… mais alto, mais fundo, mais largo…mais longe! Será esta a minha missão convosco olhar mais alto, mais fundo, mais largo, mais longe.
Milagres sozinho ninguém faz… com Deus e com a ajuda de todos haveremos de conseguir que Deus esteja mais presente nesta nossa paróquia de….
Neste inicio de ano pastoral… neste inicio de aventura espiritual peço a Deus três coisas: constância, realismo e audácia. A audácia faz precisamente o justo equilíbrio entre a presunção de quem se julga capaz de tudo e a timidez de quem não é capaz de fazer nada!
Assim estamos todos convocados pela Palavra, (não pode haver jogadores suplementes nem quem fique na bancada apenas a avaliar às vezes de forma injusta) e em constante e fraternal atenção uns aos outros esta paróquia há de ser lugar onde Cristo reina porque os seus discípulos carregam a sua cruz do dia a dia com coragem e confiança.
Peço apenas a caridade da vossa oração para esta missão que me confiam e também a vossa oração pelo aumento das vocações sacerdotais e pela minha fidelidade ao tesouro que sou chamado a administrar… Eu rezarei por vós… é essencialmente para isso que precisais de um Sacerdote. Rezai por mim eu passarei o meu tempo a rezar por vós!
Porque quero ser sempre Padre para vós, peregrino convosco!
“Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo…”
Hoje as leituras procuram ensinar-nos que seguir Jesus não é um caminho de facilidade… seguir Jesus é um caminho de felicidade mas um caminho exigente, difícil porque exige perseverança no carregar da cruz diária.
Pelo Baptismo recebemos a graça e o desafio de ser discípulos fiéis de Jesus Cristo. Infelizmente nem sempre damos espaço para que a Graça de Deus guie os nossos passos… nem sempre nos comprometemos suficientemente com esta dignidade de sermos Filhos de Deus.
Vivemos numa cultura de exigência minimalista… e até na espiritualidade nos deixamos levar por esta cultura nada comprometedora.
Jesus não quer discípulos envergonhados… Jesus quer discípulos empenhados… comprometidos com a sua Igreja procurando ser fermento no meio da massa. (…)
Pedem-me agora que eu seja também este discípulo empenhado e comprometido na paroquialidade de cinco comunidades cristãs acumulando com os serviços que já prestava a esta Igreja Diocesana no Seminário do Fundão e na captação vocacional.
Teremos muito tempo para nos conhecermos, para nos estimarmos, para partilharmos aquilo que temos e somos e para em conjunto descobrir o que Deus espera de nós…
Não vale a pena apontar grandes metas… a meta deve ser o caminho percorrido com simplicidade e verdade. O único caminho é a Palavra de Deus que há de iluminar a nossa existência, nos há de unir e motivar para cada vez mais profundamente conhecermos e amarmos a Deus que nos criou.
Para este desafio que me pedem tenho apenas um objectivo – conhecer e dar a conhecer, amar e fazer amar mais a Jesus Cristo que revela o Pai;
Tenho apenas um único projecto… amar (do jeito que Jesus ensina!)
Há apenas um meio para alcançar os objectivos e concretizar os projectos…. Trabalhar!
O trabalho, a dedicação e a entrega generosa (tendo como modelo o único bom pastor) são o segredo para resistir e responder à altura aos desafios que constantemente nos são colocados.
Para tudo o resto muita esperança! Estamos nas mãos de Deus e acredito que as mãos de Deus irão abençoar o trabalho, apontar e encaminhar pela verdade e se for necessário ao colo nos há-de carregar.
Como dizia a primeira leitura: -“ Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso espírito santo?”
Esta é a nossa maior Esperança. Deus não nos abandona entregues às nossas capacidades e forças humanas; envia-nos o Espírito Santo como garante da verdade e como guia secreto dos nossos passos. Há de ser o Espírito Santo a guiar os nossos passos de família paroquial!
Acredito naquilo que saint exupery diz que só respiramos quando estamos ligados aos nossos irmãos por um objectivo comum que se situa fora de nós; e a experiência mostra que amar não é olharmos uns para o outros, mas olharmos todos na mesma direcção… mais alto, mais fundo, mais largo…mais longe! Será esta a minha missão convosco olhar mais alto, mais fundo, mais largo, mais longe.
Milagres sozinho ninguém faz… com Deus e com a ajuda de todos haveremos de conseguir que Deus esteja mais presente nesta nossa paróquia de….
Neste inicio de ano pastoral… neste inicio de aventura espiritual peço a Deus três coisas: constância, realismo e audácia. A audácia faz precisamente o justo equilíbrio entre a presunção de quem se julga capaz de tudo e a timidez de quem não é capaz de fazer nada!
Assim estamos todos convocados pela Palavra, (não pode haver jogadores suplementes nem quem fique na bancada apenas a avaliar às vezes de forma injusta) e em constante e fraternal atenção uns aos outros esta paróquia há de ser lugar onde Cristo reina porque os seus discípulos carregam a sua cruz do dia a dia com coragem e confiança.
Peço apenas a caridade da vossa oração para esta missão que me confiam e também a vossa oração pelo aumento das vocações sacerdotais e pela minha fidelidade ao tesouro que sou chamado a administrar… Eu rezarei por vós… é essencialmente para isso que precisais de um Sacerdote. Rezai por mim eu passarei o meu tempo a rezar por vós!
Porque quero ser sempre Padre para vós, peregrino convosco!
29/08/10
23/08/10
20/08/10
Pai Nosso...
Pai-nosso
Como é grande e bom este privilégio
Poder chamar ao Deus altíssimo
Por Pai… meu e de todos.
Santificado seja o vosso nome
Eternamente a minha vida Te glorifique
E por meu intermédio a salvação
Chegue a muitos corações.
Venha a nós o vosso reino
Porque muito o desejamos
Porque todos o queremos
Aqui, já e eternamente.
Dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento…
Dai-nos aquilo que precisamos para uma vida digna
E recompensa, bom pai, o nosso esforço e trabalho.
Perdoai-nos os nossos pecados
Para rezarmos sempre sem ódios no coração
Para isso ensina-nos a amar perdoando…
E não nos deixeis cair em tentação
Porque sentimos e precisamos
Vencer todas as tentações como caminho de santificação
Mas sem Ti não somos capazes!
Como é grande e bom este privilégio
Poder chamar ao Deus altíssimo
Por Pai… meu e de todos.
Santificado seja o vosso nome
Eternamente a minha vida Te glorifique
E por meu intermédio a salvação
Chegue a muitos corações.
Venha a nós o vosso reino
Porque muito o desejamos
Porque todos o queremos
Aqui, já e eternamente.
Dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento…
Dai-nos aquilo que precisamos para uma vida digna
E recompensa, bom pai, o nosso esforço e trabalho.
Perdoai-nos os nossos pecados
Para rezarmos sempre sem ódios no coração
Para isso ensina-nos a amar perdoando…
E não nos deixeis cair em tentação
Porque sentimos e precisamos
Vencer todas as tentações como caminho de santificação
Mas sem Ti não somos capazes!
14/08/10
Nossa Senhora
Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade
É que eu vi o teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na Natureza...
Um místico sofrer... uma ventura
Feita só de perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
Antero de Quental
Mais longe...
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não for
A presença distante das estrelas!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não for
A presença distante das estrelas!
O tempo...
O tempo é muito lento para os que esperam;
Muito rápido para os que tem medo;
Muito longo para os que lamentam;
Muito curto para os que festejam;
Mas, para os que amam, o tempo é eterno!
Muito rápido para os que tem medo;
Muito longo para os que lamentam;
Muito curto para os que festejam;
Mas, para os que amam, o tempo é eterno!
13/08/10
A minha mochila
A vida é uma caminhada. Para uns uma caminhada longa. Para outros uma caminhada mais breve. Para alguns uma caminhada mais intensa; para outro uma caminhada mais serena… Importa que caminhemos, trilhemos o nosso caminho e não passemos o tempo a ver os outros caminhar e apenas apontar o dedo como juízes de todos os outros.
Todos caminhamos… Peregrinamos na vida.
Ao longo da vida vamos completando a maior universidade. Os maiores ensinamentos são trazidos pelos dias que passam e pelos anos que se somam. Enquanto caminhamos vamos arranjando bagagem que colocamos às costas… Enquanto peregrinos da existência levamos como que uma mochila na qual colocamos tudo aquilo que serve para caminharmos tranquilos, prontos para cada acontecimento e para estarmos seguros de chegar onde queremos.
A mochila que carregamos ao longo da nossa existência humana dá-nos a segurança de termos o essencial para progredir dia a dia… e vamos ao longo dos dias acrescentando coisas.
Importa não carregar demasiado a mochila, para não nos condenarmos a carregar com pesos excessivos, para não nos sentirmos tentados a não prosseguir viagem. (As coisas supérfluas não podem inquietar-nos demasiado como Marta)
Hoje queria interrogar-me sobre aquilo que trago na minha mochila da existência… que coisas carrego? Serão assim tão importantes e fundamentais para mim ou ando a sobrecarregar me com coisas supérfluas que em nada me ajudam a caminhar?
Quero em primeiro lugar transportar na minha mochila da existência a linha do Horizonte. Quero ao longo da vida ser capaz de subir mais alto para ver mais longe! Quero ser capaz de colocar a esperança mais longe do que o tempo que dura a caminhada. Quero colocar as mãos no trabalho com generosidade mas sem nunca esquecer de colocar o coração em Deus. Sempre mais, sempre melhor…sempre mais próximo de Deus.
Quero transportar também comigo a minha família e amigos. Eles são os mais importantes ao longo da caminhada. Eles são o nosso porto de abrigo são a nossa âncora da existência.
Na mochila invisível que carregamos todos os dias convêm também levar uma toalha que pode servir para descansar, para me renovar, para me limpar daquilo que não me dignifica… Deus quer sempre perdoar-me e tudo o que deseja é que eu me levante sempre mesmo que caía muitas vezes.
Convêm também carregar um par de Chinelos – para o caminho… quero na minha mochila transportar uns chinelos como sinal de quem está disponível para seguir a vontade de Deus… mesmo que essa vontade não seja a minha. Queremos ter sempre a coragem para nos colocarmos no caminho a caminho de Deus. (Deus não nos faz sempre as vontade todas… mas não nos há de deixar faltar o essencial para o caminho!
Terço – Convêm trazer sempre uma arma connosco… uma arma poderosa que vence todas as outras. A arma da oração (diálogo com Deus… quem é amigo de Deus vive mais seguro.)
Quero também carregar alguns medicamentos – para tratar as feridas do caminho… As minhas e as dos outros. Ao longo do caminho podemos aleijar-nos e precisamos do abraço do beijo do carinho da saudade de quem gostamos. Que tenha sempre medicamentos destes para mim e para partilhar com os outros que no caminho precisam.
Agua – renova, limpa, refresca, revigora… quero carregar também a alegria e a responsabilidade de ser baptizado.
Na mochila que carregamos todos os dias importa também levar alguns Valores (não apenas valores financeiros que dão apenas segurança aparente) mas os valores da paciência para o caminho, silencio, fraternidade, amor e fé (Deus não pesa na mochila… ajuda a caminhar – não somos nós que o levamos é Ele que nos leva a nós)
Que Deus abençoe a nossa caminhada diária e nos ensine a distinguir o essencial do acessório. Que caminhemos com Deus e para Deus.
Todos caminhamos… Peregrinamos na vida.
Ao longo da vida vamos completando a maior universidade. Os maiores ensinamentos são trazidos pelos dias que passam e pelos anos que se somam. Enquanto caminhamos vamos arranjando bagagem que colocamos às costas… Enquanto peregrinos da existência levamos como que uma mochila na qual colocamos tudo aquilo que serve para caminharmos tranquilos, prontos para cada acontecimento e para estarmos seguros de chegar onde queremos.
A mochila que carregamos ao longo da nossa existência humana dá-nos a segurança de termos o essencial para progredir dia a dia… e vamos ao longo dos dias acrescentando coisas.
Importa não carregar demasiado a mochila, para não nos condenarmos a carregar com pesos excessivos, para não nos sentirmos tentados a não prosseguir viagem. (As coisas supérfluas não podem inquietar-nos demasiado como Marta)
Hoje queria interrogar-me sobre aquilo que trago na minha mochila da existência… que coisas carrego? Serão assim tão importantes e fundamentais para mim ou ando a sobrecarregar me com coisas supérfluas que em nada me ajudam a caminhar?
Quero em primeiro lugar transportar na minha mochila da existência a linha do Horizonte. Quero ao longo da vida ser capaz de subir mais alto para ver mais longe! Quero ser capaz de colocar a esperança mais longe do que o tempo que dura a caminhada. Quero colocar as mãos no trabalho com generosidade mas sem nunca esquecer de colocar o coração em Deus. Sempre mais, sempre melhor…sempre mais próximo de Deus.
Quero transportar também comigo a minha família e amigos. Eles são os mais importantes ao longo da caminhada. Eles são o nosso porto de abrigo são a nossa âncora da existência.
Na mochila invisível que carregamos todos os dias convêm também levar uma toalha que pode servir para descansar, para me renovar, para me limpar daquilo que não me dignifica… Deus quer sempre perdoar-me e tudo o que deseja é que eu me levante sempre mesmo que caía muitas vezes.
Convêm também carregar um par de Chinelos – para o caminho… quero na minha mochila transportar uns chinelos como sinal de quem está disponível para seguir a vontade de Deus… mesmo que essa vontade não seja a minha. Queremos ter sempre a coragem para nos colocarmos no caminho a caminho de Deus. (Deus não nos faz sempre as vontade todas… mas não nos há de deixar faltar o essencial para o caminho!
Terço – Convêm trazer sempre uma arma connosco… uma arma poderosa que vence todas as outras. A arma da oração (diálogo com Deus… quem é amigo de Deus vive mais seguro.)
Quero também carregar alguns medicamentos – para tratar as feridas do caminho… As minhas e as dos outros. Ao longo do caminho podemos aleijar-nos e precisamos do abraço do beijo do carinho da saudade de quem gostamos. Que tenha sempre medicamentos destes para mim e para partilhar com os outros que no caminho precisam.
Agua – renova, limpa, refresca, revigora… quero carregar também a alegria e a responsabilidade de ser baptizado.
Na mochila que carregamos todos os dias importa também levar alguns Valores (não apenas valores financeiros que dão apenas segurança aparente) mas os valores da paciência para o caminho, silencio, fraternidade, amor e fé (Deus não pesa na mochila… ajuda a caminhar – não somos nós que o levamos é Ele que nos leva a nós)
Que Deus abençoe a nossa caminhada diária e nos ensine a distinguir o essencial do acessório. Que caminhemos com Deus e para Deus.
12/08/10
30/07/10
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