30/10/06

Bruxinhas...

Estive há dias a falar com um professor de Religião e Moral… Queixava-se das dificuldades que tinha para exercer da melhor forma a sua missão!
Julguei que as dificuldades fossem colocadas por parte dos alunos devido ao fraco substrato familiar e à dificuldade que têm em cumprir regras e aceitar a autoridade de quem exerce o ministério de ensinar.
Explicou-me o professor que essa nem era a maior dificuldade que tinha. O maior problema era o próprio ambiente escolar que tem pouco de humano e nada de cristão…e passou a explicar-me com alguns exemplos… Colocar um cartaz alusivo a qualquer festividade cristã é expressamente proibido… explicar o que é a Quaresma, o Advento, a Páscoa ou até mesmo celebrar o Natal não é permitido…viva a liberdade e laicidade!
O mais hilariante é deixarem enfeitar a escola na época do halloween (as bruxas)! Uma festa que culturalmente tão pouco tem a ver connosco… mas porque esta festa não é cristã e até se opõem a muitos princípios cristãos… esta sim… pode ser publicitada e vivenciada na escola, dando em alguns casos até direito a folga para actividades extra curriculares…

12 comentários:

js disse...

Enquanto uns lamentam as dificuldades, outros aproveitam as oportunidades: descobrir a cultura celta (o Samhain), conhecer alguns rituais romanos (as Feralia, a deusa Pomona), aprofundar o sentido cristão das comemorações(Dia de Todos os Santos, Dia dos Fiéis Defuntos), captar o fenómeno mediático das "bruxas" (da Bibi Blocksberg ao Harry Potter, da Charmed às Brumas de Avalon), abordar as origens da América (as perseguições religiosas e a emigração irlandesa), viajar às raízes das nossas tradições populares (v.g. as iniciativas do Padre Fontes), etc.

js disse...

P.S.: Para que conste: "Halloween" vem do inglês antigo "All Hallow's Even" - Véspera de Todos os Santos

Pe. Tó Carlos disse...

Este tema pode até ser muito interessante! Não coloco isso em causa... apenas me interpela o facto de este tema poder ser abertamente abordado na comunidade escolar com decorações e inumeras actividades...e outros, tão mais importantes serem "ostracizados"! Culturalmente (e nao digo religiosamente) porque nao abordar o tema dos fieis defuntos...de todos os santos!? Diz muito mais à nossa cultura que este tema!

js disse...

É certo que há algumas posturas de anti-teismo, feitas de ignorância e de preconceito, que propugnam uma visão reducionista da cultura e do ser humano ao defenderem o desprezo do facto religioso (que nos nossos meios, se traduz pela rejeição de tudo quanto cheire a cristianismo). E há ainda a globalização de dados culturais e a infuência do económico: o Halloween vende mais...

Mas, mais do que derramar lágrimas, importa compreender este tempo em que vivemos: se o cristianismo está ainda muito enzaízado nas nossas tradições (muito mais até do que superficialmente se constata), a sociedade de hoje confronta-se com uma pluralidade de propostas de sentido; e cabe-nos mostrar que a visão cristã tem pertinência e validade para o homem actual.
Esta é a luta a travar; e ninguém disse que era fácil; mas a verdade é que prefiro mil vezes este tempo, onde temos a oportunidade de mostrar o que significa ser cristão de verdade, do que épocas passadas, onde os corajosos eram os que contestavam a religião...

js disse...

Um exemplo: no tempo do império romano e da cultura helénica, que sentido podia ter o caminho da santidade proposto pelo cristianismo? A pertinência foi buscada em torno da figura do herói. De facto, a cultura clássica idolatrava os heróis, os seus feitos e as suas virtudes; um destino reservado apenas a alguns eleitos pelos deuses. É então que surge o cristianismo a propôr que todos podem ser heróis: patrícios e bárbaros, cidadãos e escravos, ricos e pobres, homens, mulheres e crianças, todos podem enfrentar um mundo adverso e trágico de cabeça erguida, escolhendo uma orientação moral para a sua vida, sem nada a temer, nem a própria morte. Um desafio lançado ao mundo pelo próprio Deus, e vivido pelo seu próprio Filho.

"Eu posso ser um herói!": um projecto de vida deveras empolgante. O cristianismo primitivo assumia assim uma enorme validade para aquele tempo...

Tozé Franco disse...

Ainda bem que trabalho numa escola com um projecto cristão, que se assume confessional.
Esta ideia de escola laica dá-me vontade de rir para não dizer chorar, como se o ensino pudesse ser neutro. Há uns anos não se podiam transmitir valores (e isto já é um valor), pois o aliuno devia descobri-los por si,como se isso fosse possível. Hoje vê-se quais os resultados dessa plítica, que tev origem numas mentes pretensamente "ilumindas".Mal vai o país que renega a sua história, em que a prória escola em vez de promover as nossas tradições, perfere comemorar festividades importadas. Uma sugestão: o grupo de Português devia promover a celebração dos Bolinhos e Bolinhós, pois uma grande parte dosmiúdos já nem sabe o que é.

Olhe o Céu disse...

isso é triste,
aqui no brasil então... me diga o q tem o dia das bruxas a ver com nosso folclore... e mesmo assim é estimulado.
Bom, eu sou suspeita prá falar, porque não gosto nem de Papai Noel...
Beijos peregrinos.
Babi

Maria João disse...

Na escola não se pode falar de religião, mas pode-se ensinar às crianças músicas a ridicularizar o Adão e a Eva. Aconteceu com uma menina minha da catequese.

Pior ... Houve uma criança de uma colega minha que foi ter com ela no final da catequese, bastante preocupada, porque a professora de história tinha dito que os cristãos mentiam quando diziam que Jesus tinha nascido do seio de Maria. Mentiam porque, imagine-se, nenhuma criança nasce da mama de uma mulher.

Parece história, mas podem crer que é verdade. O estigma em relação à religião leva a cada uma ...

Pe. Tó Carlos disse...

Já me fartei de rir... essa é hilariante!!! Pior que nao saber é nao querer saber..é esta a cultura que temos!

Su disse...

"Travessura ou doçura?" Bom feriado meu amigo...:) beijinho da Su

Lai disse...

Sinais dos últimos tempos!!

Abraços
Lai

mafaoli disse...

A verdade é que tudo isto acontece um pouco por toido o lado, quer nas escolas, trabalho ou até entre amigos.Há um certo olhar de lado para quem é cristão e o afirma. Por vezes até parecemos "aves raras". É esta a nossa cultura?
Ofende-se Jesus, Maria e todos os dogmas da Igreja. E nada se faz tudo se aceita. Mas quando se toca ao de leve noutras religiões é crime de pena capital.
Talvez sejamos nós os culpados de tanta ignorancia e permissidade.