12/10/06

Espaço virtual… bem real!

Ao tornar público, neste espaço, o meu e-mail pessoal, sabia estar a correr alguns riscos!
Em boa hora o fiz… tenho recebido alguns e-mail’s verdadeiramente fantásticos que muito me ajudam.
Também tenho recebido pedidos de oração e “quase confissões”… vou procurando responder sempre que posso… assim este espaço deixa de ser virtual… e fica um pouco mais real e próximo das pessoas.
Nos últimos dias recebi o seguinte e-mail, que publico somente algumas passagens com a devida autorização da pessoa envolvida e salvaguardando o total anonimato.

“Estou doente... Ainda não tive coragem de contar a ninguém... Talvez seja mais fácil falar com quem não me conheça... A noticia caiu que nem uma bomba na minha vida... que fazer a tantos projectos que tinha? Planeava acabar este ano a licenciatura e partir para Africa, dando algum (ou talvez todo) do meu tempo aos outros... agora torna - se uma utopia... obrigada por "ouvir". Sei que não há nada a dizer... mais uma vez, bom fim de semana…”
“Sim, acreditar sem esperança... encaro a doença numa dualidade... por um lado penso que Deus me ouviu quando lhe supliquei que me retira-se o sofrimento e a angustia psicológica com que convivo durante anos... contudo, é injusto concluir a minha meta com o sofrimento de um cancro... apenas pedi a Deus para não sofrer mais... talvez seja mais fácil para os outros saber que partimos porque o corpo nos atraiçoou do que saberem que fomos nós que o atraiçoamos... resta-me acreditar e rezar pela brevidade...”


Tudo aqui é virtual… mas a minha oração (e de certo a vossa) será real por e para esta pessoa. Coragem!
Peço a vossa oração por este caso e por tantos outros. É somente aquilo que eu tenho feito…

12 comentários:

Anónimo disse...

Arrepiante.rezarei!

joaquim disse...

Rezarei, rezarei, rezarei.
Tenho uma pessoa da minha familia nesse mesmo estado a quem Deus tem dado muita paz e tranquilidade.
No meu blog coloquei a noticia da conversão de um conhecido "play-boy", devido sobretudo a um cancro que teve nos rins.
Os "caminhos de Deus".
Abraço em Cristo
Joaquim

Saramar disse...

Ah! meu Deus! É nestas horas que temos que realmente pensar no sentido da união e rezar juntos.
Vou rezar por ela a partir de hoje para que Deus ande com ela neste difícil caminho.
Bom dia!

Anónimo disse...

Rezo rezo rezo

MC disse...

(Vamos lá ver se consigo aqui escrever alguma coisa de jeito...)

Claro que me tocou profundamente este caso. Tocar-me-ia sempre. Por diversas razões. Neste momento de uma forma particular.

Em primeiro lugar, temos de descobrir urgentemente o que é rezar. Qual o sentido da nossa oração? Tenho no meu blog, uma reflexão do serviço bíblico Claretiano que talvez dê algumas pistas.

Agora o meu caso pessoal. Há dois meses, fiz uma mamografia que deu sinais de alarme. A médica enviou-me para o IPO. Neste momento ainda estou à espera do resultado das biópsias que serão conclusivas. Tenho uma forma muito própria de encarar a vida e vivê-la na fé. Portanto, sei que o que se passa comigo é uma das contigências da minha fragilidade e finitude humanas e de modo algum algo que Deus me enviasse fosse porque motivo fosse. Deus que me criou e me ama, está tal como eu "de mãos atadas" seja qual for o resultado das biópsias. Deus sofre comigo. É assim que vejo o seu amor.

Vejo-o também em formas muito concretas. Não vou falar do apoio que os meus familiares mais próximos me estão a dar porque tem sido a expressão de uma família que se ama e se cuida mútuamente. Vou falar de um apoio extraordinário que pela generosidade me tem tocado de forma particular.
Como diz o Tó, uma pessoa tem um blog e de vez em quando recebe uns e-emails. Dos vários que tenho recebido, recebi o de um rapaz jovem, desempregado, que me agradecia a ajuda que recebia através do que escrevo no blog. Respondi-lhe e fomos mantendo um contacto regular. Neste meio tempo, surge esta minha situação de doença e mais alguns outros problemas que partilhei com ele, numa relação aberta de amigos apesar de virtuais. O cuidado dele tem sido de uma generosidade sem tamanho. Como trocámos telemóveis, tenho sempre ou uma mensagem SMS, com umas palavras de conforto e confiança, muitas vezes antes de adormecer conto com os seus telefonemas sempre com uma nota de juventude e alegria que me têm sido vitais para alimentar a minha esperança e ânimo. Na quarta-feira telefonou-me e estivémos um bom pedaço ao telefone. Pedia-me desculpa por ter estado uma semana sem telefonar, mas não tinha saldo no telemóvel. Ele está quase há um ano desempregado. É um jovem. Podia estar "fechado" na sua situação de infelicidade. Não está. Não é dos chamados cristãos praticantes, mas em muitas das suas mensagens, me lembra "que Ele está presente".

Contar isto é só para explicar que não basta ficarmos repetindo fórmulas de oração para Deus fazer o que está ao alcance das nossa mãos.

Eu dou graças a Deus, por me ter enviado este amigo. E ficar-lhe-ei para sempre grata a ele, por saber sair das suas próprias angústias e dificuldades e tornar-se para mim, presença e sinal de Deus.

Espero que esta pessoa, de quem o Tó fala, encontre também disponibilidade de quem se saiba fazer próximo.

Anónimo disse...

Dizem que os padres são os psiquiatras dos pobres. Para alguem escrever isso deve estar perdido, desesperado! Se te enviou um mail e te confidenciou talvez (neste momento) só tu o possas ajudar. Rezarei por ti e por essa pessoa mas talvez só rezar não chega. Digo eu..

Um abraço

Pe. Tó Carlos disse...

Psiquiatra não posso ser... a psiquiatria exige tratamentos quimicos que desconheco totalmente!
Psicologo... todos temos de ser um pouco...dos pobres e cada vez mais dos ricos!

Anónimo disse...

Eis uma partilha profunda que nos faz pensar, a bós padres, do nosso papel e quais as palavras certas a dizer. Mas o Espírito certamente de dá as palvras certas e a situação acontece por algum motivo. Rezo por ti, por ela, por todos os que se cruzam no teu caminho, no meu e no de todos nós. Que saibamos sempre ouvir a voz de Deus e dialogar com Ele.
Abraço amigo
unidos em oração

Sonhadora disse...

Vou rezar, muito.

Anónimo disse...

Quando disse que os padres eram os psiquiatras dos pobres referia-me a que devem saber escutar e procurar ajudar na medida do possivel... não pude deixar de comentar porque, embora com algumas diferenças, já estive na posição do padre e ainda hoje sinto a culpa de não ter feito mais por alguem que um dia deu o mesmo grito de socorro!!! e hoje é tarde. Foi apenas um desabafo...

Um abraço

Pe. Tó Carlos disse...

Um abraço para si também.

Anónimo disse...

Fiquei sem palavras, e mais depois de ter lido a MC...