22/01/07

Santos da Terra...


Faz já algum tempo fui celebrar uma festa a uma terra onde nunca tinha ido. Ninguém me conhecia nem eu conhecia tal localidade. Por isso fui cedo para descobrir a capela do santo que se pretendia honrar.
Desta vez correu bem e facilmente descobri o lugar! Como tinha muito tempo decidi ir tomar o meu medicamento matinal… o meu café!
Entrei no primeiro café que encontrei e o tema por todos discutido era a festa do mártir e as tradições de antigamente e discutiam-se ainda as “qualidades” do pároco da terra que por motivo de doença não podia estar.
Como ninguém me reconheceu como padre (não cumpro o código que me recomenda traje eclesiástico) a conversa continuou animada. O nosso padre é isto… anda com aquela… só liga ao Doutor fulano tal… já cá está há tempo demais… diz sempre o mesmo… é controlado por tal grupo…
Não sei até que ponto tudo isto seria verdade! Conhecendo a pessoa em questão sei que exageravam nitidamente.
Nada disse! Saí… e celebramos demoradamente a festa religiosa com todas as tradições habituais.
No final, alguém com quem eu tinha cruzado o olhar no café dirigiu-se a mim e disse convictamente:
- O senhor padre é que devia vir para cá! O senhor bispo devia mandar para aqui um padre assim novo e simpático!
A minha resposta pronta foi:
- Porr… (Pi) … Santo é o que cá têm e dizem tanto mal dele... Imagino de mim!
Acho que escandalizei alguém!

10 comentários:

elsa disse...

Infelizmente, só damos valor às pessoas quando elas se vão...

Anónimo disse...

Concordo com a Elsa...

Mas, deves mesmo ter escandalizado alguém!! Eh!Eh!

Anónimo disse...

ahahaha!!!

Estiveste bem!!!!
As pessoas sempre t~em coisas para dizer e a maior parte das vezes bem injustas...

Beijinhos!!

:))

palheirense disse...

Já arranjou motivo para ser tema de conversa no dito café. Mas foi uma resposta muito certeira e corajosa.
Abraço

Anónimo disse...

Olá.
Só duas observações: já cá está à tempo a mais. Este à devia ser há.
E, depois, as leis existem para se cumprir.
Vamos lá começar a usar o traje eclesiástico.
A malta nova até gosta.

Anónimo disse...

Foi uma resposta muito acertada!!!
Às vezes é necessário "escandalizar" as pessoas para se darem conta do que fazem!

Um abraço amigo!

Pe. Tó Carlos disse...

Obrigado pela observação.

Anónimo disse...

O milagre deixou de ser o favor obtido, através da cunha de um santo, para se converter na prova geral de acesso à santidade. João Paulo II aboliu o numerus clasus e os crentes mais aflitos habituaram-se a solicitar favores através da lista de espera, certos de que os santos encartados estão de baixa e não regressam ao ramo. Assim, o atendimento das cunhas deixou de ser um privilégio de quem detém o poder, como acontece na sociedade civil, que imitou a religiosa, para dar uma chance aos candidatos.

Jesus assistiu a um casamento onde faltou a pinga. Apesar de ser a primeira vez que ousava um milagre conseguiu transformar água sem garantia bacteriológica num agradável palheto de 12 graus. A receita, ainda usada em Portugal, é hoje objecto de repressão policial.
A falta de vigilância facilitou-lhe milagres em leprosos, paralíticos e cegos, mas os de maior sucesso foram a travessia do mar Morto e a ressurreição de Lázaro.
Jesus tinha os pés grandes a avaliar pela facilidade com que atravessou alguns metros de água salgada antes de lhos furarem. Os publicitários puseram a correr, com manifesto exagero, que tinha atravessado o mar Morto. Era impossível ter testemunhas que assistissem à partida e à chegada numa época em que as comunicações se faziam através de pessoas, que tinham de ir à volta. Mas, graças a 12 indefectíveis, obteve bastante popularidade até aos 33 anos. Pregaram-no numa cruz e deixaram-no morrer de forma bárbara, habitual na época.
Sabe-se que o corpo desapareceu e foi posto a correr o boato de que tinha subido ao céu, sítio que se julgava ficar num alto. Chamou-se a isso ressurreição – fenómeno tido por verosímil –, hoje dá-se-lhe o nome de ocultação de cadáver.
Muitos séculos depois ainda se guardava em relicários o santo prepúcio, relíquia que teve de ser proibida pela profusão de exemplares reivindicados por várias paróquias italianas. (As voltas que um prepúcio dá!)
Os milagres da época eram para consumo na Palestina.

Recentemente tais milagres acontecem no ramo da medicina em áreas novas que vão da oncologia à endocrinologia. Muitas vezes as graças são para consumo caseiro, caso de freiras em sítios remotos ou conventos impenetráveis, pessoas que Deus condenou a doenças incuráveis, que depois indulta por milagre, sem ninguém se interrogar se não seria mais fácil não lhe ter enviado a doença do que enviar-lhe a cura. Mas isto são segredos do negócio.

O truque para ressuscitar pessoas é que nunca mais foi conseguido e passou à história como o mais difícil.

Na realidade os judeus não reconhecem sequer a existência do “Jesus Histórico”, e os muçulmanos admitem a sua existência, mas, como sendo um simples profeta entre muitos outros, e nada mais.
É a prova cabal de que: Santos da casa não fazem milagres.
Tó Carlos, parabéns pelo post.

Daniela.

Anónimo disse...

Achei piada ao post e coloquei-o em "O melhor dos blogues".
Obrigado por isso.

Manuel maria disse...

Nem santo da terra...
nem de fora, Tó carlos.
Abraço